A imagem corporal é a figura de nosso
próprio corpo que formamos em nossa mente, ou seja, o modo pelo qual o corpo se
nos apresenta. (Schilder 1994)
Segundo Thompson (1996), o conceito de
imagem corporal envolve três componentes:
- Perceptivo,
que se relaciona com a precisão da percepção da própria aparência física,
envolvendo uma estimativa do tamanho corporal e do peso;
- Subjetivo,
que envolve aspectos como satisfação com a aparência, o nível de
preocupação e ansiedade a ela associada;
- Comportamental,
que focaliza as situações evitadas pelo indivíduo por experimentar
desconforto associado à aparência corporal.
Transtorno dismórfico muscular ou Vigorexia, um subtipo do transtorno dismórfico corporal, é um distúrbio já
classificado como uma das manifestações do espectro do transtorno
obsessivo-compulsivo. Em certos aspectos, vigorexia e anorexia nervosa são
desordens semelhantes, na medida em que interferem na visão desvirtuada que os
portadores têm do próprio corpo. Diante do espelho, anoréxicos esquálidos e
desnutridos se enxergam obesos, e os vigoréxicos se veem fracos, magrinhos,
franzinos, apesar de fortes e muito musculosos.
A autoimagem distorcida leva os portadores de vigorexia à
práticaexagerada de exercícios físicos, em busca do corpo perfeito de acordo
com os padrões de beleza impostos pelos valores da sociedade contemporânea.
Essa insatisfação constante com o próprio corpo e com a massa e força
musculares faz com que incorporem novos hábitos e comportamentos à sua rotina
de vida. Vigoréxicos passam horas e horas nas academias, sempre
aumentando a carga dos exercícios. Paralelamente, introduzem alterações na dieta
constituída basicamente por proteínas, passam a consumir suplementos
alimentares sem orientação e recorrem ao uso de esteroides e anabolizantes.
Como o corpo que consideram perfeito é um ideal inatingível, em razão
dos sentimentos de inferioridade e da visão deformada da própria aparência,
essas pessoas estão mais sujeitas a desenvolver quadros de depressão e
ansiedade.
O Transtorno Dismórfico Corporal (TDC) é um transtorno relacionado a preocupações com a aparência. Os critérios
diagnósticos estabelecidos pelo DSM-IV são: preocupação com um defeito
imaginado na aparência, e mesmo que haja um mínimo defeito, a preocupação é
extremamente acentuada; sofrimento significativo e/ou prejuízo no funcionamento
da vida do indivíduo; não deve ser confundido com Anorexia e Bulimia. Enquanto
nesses transtornos, a preocupação é com o tamanho ou forma do corpo como um
todo, no TDC se refere a uma ou mais partes do corpo como: nariz, boca, queixo,
seios, cabeça, cabelo, pernas, quadris, entre outras.
As preocupações são mais freqüentes em
situações sociais, sendo comum esquiva social e tentativas de camuflagem (com
maquiagem, roupas, gestos). Outros comportamentos característicos são: olhar
fixamente no espelho, ou evitar espelhos, comparar-se com outras pessoas, pedir
reafirmações sobre o defeito, realizar cirurgias plásticas e tratamentos
estéticos. Alguns desses comportamentos podem se tornar rituais que prejudicam
as atividades diárias. Sem tratamento médico e psicológico, o TDC persiste por
anos, sendo caracterizado como um transtorno crônico e perigoso, com riscos de
suicídio.
Tratamento
O tratamento é multidisciplinar,
envolve médico, psicoterapeuta, nutricionista e preparador físico. A pessoa não
precisa abandonar totalmente a prática de exercícios, mas o treinamento deve
ser orientado por profissionais com experiência na área.
A terapia cognitivo-comportamental é um
recurso eficaz para o paciente identificar as distorções do comportamento e
restaurar a autoimagem e a autoconfiança. Outra medida essencial é convencê-lo
de que deve abandonar o uso de anabolizantes e de outras substâncias
equivalentes, porque provocam efeitos adversos, como atrofia dos testículos,
disfunção erétil e infertilidade, patologias que podem ser irreversíveis. Em
alguns casos, pode ser necessário recorrer ao uso de medicamentos para controle
da ansiedade, depressão e dos sintomas obsessivo-compulsivos.
Portadores de vigorexia raramente admitem sua condição. Por isso, o diagnóstico e o início do tratamento costumam ser instituídos tardiamente. Estudos mostram que a terapia comportamental é eficaz no tratamento da dismorfia corporal e muscular (vigorexia).
Por Patricia Constantino de Tella
Nenhum comentário:
Postar um comentário