Esse é o resumo do último capítulo do livro "Comportamento em Foco. 1ed.São Paulo: Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental, 2013, v. 2, p. 311-325."
Autores: Patrícia Constantino de Tella, Ana Beatriz Carnielli, Andréa Callonere e Maria Martha Costa Hübner.
Manejo clínico do comportamento de esquiva sob a topografia da
desatenção: um estudo de caso sob A perspectiva da análise do comportamento
Resumo
Comportamentos hiperativos, desatentos ou opositores podem ser vistos
pela Análise do Comportamento como respostas de esquiva a práticas parentais
punitivas. Chamamos de esquiva, respostas emitidas a fim de impedir ou adiar
condições potencialmente aversivas. Em
grande parte, sua probabilidade parece ser função da interação entre processos
moleculares e molares da situação e menos função de fatores momentâneos. A
situação terapêutica pode se configurar de forma tal que, por vezes, percebemos
a emissão destes comportamentos pelos clientes caracterizados como CRBs1 sob
controle de estímulos aversivos. Neste trabalho, tivemos o objetivo de
apresentar resultados parciais do manejo do comportamento de esquiva sob a
topografia da desatenção de um menino de oito anos de idade diagnosticado com
déficit de atenção e hiperatividade. As sessões foram realizadas por uma
terapeuta e uma coterapeuta que se alternavam nestes papéis semanalmente. Após
8 meses de trabalho, foram realizadas 22 sessões com a criança e 8 sessões de
orientação aos pais. Estes foram instruídos sobre o uso de consequências
positivas aos comportamentos tidos como adequados e supressão dos aversivos,
enquanto com a criança utilizamos procedimentos que envolviam respeito a
regras, realização de uma tarefa de cada vez, espera e paciência, concentração,
desenvolvimento de responsabilidade, atividades de leitura, escrita, operações
matemáticas, entre outros. Foram observados comportamentos de desatenção
(deixar cair o lápis, mudar de assunto, esquecer o que estava falando, mexer
nos objetos da sala) que aumentavam de frequência diante de assuntos e tarefas
desagradáveis para a criança e que se mostraram sensíveis ao manejo
contingencial realizado pelas terapeutas. Com o decorrer das sessões, o cliente
apresentou menor frequência do comportamento de desatenção e evitação (CRB1) e
aumento de CRBs do tipo 2 e 3 (concentração, dizer o que pensa sobre a
situação, descrever contingências dentro e fora da sessão que atrapalham sua
concentração).
Palavras-Chave:
Psicoterapia comportamental, déficit de atenção e hiperatividade, controle
aversivo.
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