quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Timidez x Fobia Social

A fobia social é classificada como um distúrbio de ansiedade que reflete medo de interação e desempenho social.
Já na timidez não há uma interferência severa no desempenho social, pois conseguem focar a atenção na tarefa social, ao invés dos fóbicos sociais que tendem a focar a atenção em si mesmo, desse modo monitorizando os seus sinais somáticos de ansiedade e o seu desempenho, que sofre interferência severa os seus sinais somáticos de ansiedade e o seu desempenho, que sofre interferência severa (Pinto Gouveia, 2000). Quando algum comportamento começa a ser exagerado e desproporcional em relação ao estímulo (ao acontecimento) e a atrapalhar sua vida pessoal, isso pode ser um sinal de algo mais grave.
A Fobia Social é caracterizada pelo medo persistente de contatos sociais ou de atuações em público, por temer que essas situações resultem em incomodo. A exposição a esses estímulos (ex. contatos sociais) produz, quase que uma imediata resposta de ansiedade, juntamente com sintomas autonômicos (do sistema nervoso autônomo, como palpitações, rubor, sudorese, etc).com isso, essas situações desencadeadoras da ansiedade acabam sendo evitadas ou são toleradas com grande mal estar.
Fala-se em Ansiedade Social quando existe a ansiedade antecipatória, os sintomas autossômicos (tontura, sudorese, etc), porém a intensidade do quadro não é tão limitante quanto na Fobia Social, propriamente dita. Alguma referência à esse quadro existe no DSM.IV sob o nome de Transtorno da Personalidade por Evitação, caracterizada por intensa Ansiedade de Evitação.
A frequência da Fobia Social é o segundo entre os transtornos fóbicos (25%), sendo superado apenas pela agorafobia (1*). Assim sendo, como a Ansiedade Social é a mesma patologia em grau menor, sua frequência é igualmente elevada.


Critérios Diagnósticos da Fobia Social, segundo o DSM IV:

·         Medo acentuado e persistente de uma ou mais situações sociais ou de desempenho, onde o indivíduo é exposto a pessoas estranhas ou ao possível escrutínio por outras pessoas. O indivíduo teme agir de um modo (ou mostrar sintomas de ansiedade) que lhe seja humilhante e embaraçoso.
Nota: Em crianças, deve haver evidências de capacidade para relacionamentos sociais adequados à idade com pessoas que lhes são familiares e a ansiedade deve ocorrer em contextos que envolvem seus pares, não apenas em interações com adultos.

·         A exposição à situação social temida quase que invariavelmente provoca ansiedade, que pode assumir a forma de um Ataque de Pânico ligado a situação ou predisposto por situação.
Nota: Em crianças, a ansiedade pode ser expressada por choro, ataques de raiva, imobilidade ou afastamento de situações sociais com pessoas estranhas.

·         A pessoa reconhece que o medo é excessivo ou irracional.
Nota: Em crianças, esta característica pode estar ausente.

·         As situações sociais e de desempenho temidas são evitadas ou suportadas com intensa ansiedade ou sofrimento.

·          A esquiva, antecipação ansiosa ou sofrimento na situação social ou de desempenho temida interferem significativamente na rotina, funcionamento ocupacional (acadêmico), atividades sociais ou relacionamentos do indivíduo, ou existe sofrimento acentuado por ter a fobia.
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·         O temor ou esquiva não se deve aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por ex., droga de abuso, medicamento) ou de uma condição médica geral nem é melhor explicado por outro transtorno mental (por ex., Transtorno de Pânico Com ou Sem Agorafobia, Transtorno de Ansiedade de Separação, Transtorno Dismórfico Corporal, Transtorno Invasivo do Desenvolvimento ou Transtorno da Personalidade Esquizóide).

·         Em presença de uma condição médica geral ou outro transtorno mental, o medo do primeiro critério não tem relação com estes; por ex., o medo não diz respeito a Tartamudez, tremor na doença de Parkinson ou apresentação de um comportamento alimentar anormal na Anorexia Nervosa ou Bulimia Nervosa. Especificar: os temores incluem a maioria das situações sociais (considerar também o diagnóstico adicional de Transtorno da Personalidade Esquiva).

fóbico social reconhece que o seu medo é exagerado ou irracional e teme mostrar sinais de ansiedade, como rubor facial, tremor e sudorese. Em algumas situações, a ansiedade pode assumir a forma de um ataque de pânico. Entre outros medos que se manifestam estão os de parecer ridículo ou tolo, de ser o centro das atenções, de cometer erros e de não saber o que se espera dele.
 Idéias de referência simples (não delirantes) ocorrem com frequência nesse paciente, desta forma, é comum que ele se sinta alvo de comentários ou gozação por parte de outras pessoas, idéias estas que podem ser corrigidas com argumentação lógica. Um estudo realizado no AMBAN do Instituto de Psiquiatria (IPQ) do HCFMUSP (Barros & Lotufo Neto, 1995) mostrou que 75% da amostra de fóbicos sociais apresentaram idéias de referência não delirantes no Present State Examination (PSE), um instrumento utilizado para avaliação diagnóstica.

(1*) Agorafobia está associada ao transtorno de pânico. Geralmente, a pessoa relaciona esse transtorno a determinadas situações ou ambientes e passa a evitá-los com medo que deflagrem ataques de pânico. As situações que desencadeiam o processo são muitas. O agorafóbico teme enfrentar congestionamentos, passar por túneis e pontes, viajar em estradas que não tenham telefones de emergência instalados a cada um ou dois quilômetros, porque julga que sair dali será difícil ou embaraçoso ou, ainda, porque o socorro não estará disponível se ocorrer uma emergência.

Por Patrícia Constantino de Tella

Dúvidas e sugestões deixe msg ou envie um email para patriciatella@gmail.com

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Gestação

Muitas pesquisas vêm demonstrando alguns fatores de grande consenso sobre o período que transcorre após a concepção e sua influência no desenvolvimento fetal. Podemos dividir este período em três estágios, o primeiro chamado de estágio germinal de desenvolvimento, apresenta uma duração de aproximadamente duas semanas, é nele que ocorre a divisão da célula inicial e a movimentação desta pela trompa de falópio até se alojar na parede do útero.
O segundo estágio de desenvolvimento, o estágio embrionário, é caracterizado pelo rápido crescimento e diferenciação dos principais sistemas e órgãos do corpo e o desenvolvimento de várias estruturas que apóiam o desenvolvimento fetal (placenta). Este estágio se estende, aproximadamente, da segunda até a oitava ou décima segunda semana de gestação.
Chegamos no terceiro estágio de desenvolvimento chamado de estágio fetal, este período é considerado o momento que ocorrem, basicamente, o crescimento rápido, as mudanças na forma do corpo e o aprimoramento de todos os sistemas e órgãos (PAYNE & ISAACS, 2007).
Entre os fatores determinantes da saúde infantil, as condições ambientais são responsáveis por uma parcela significativa,
Desenvolvimento infantil é um processo que se inicia na vida intrauterina e abarca aspectos como a maturação neurológica, o crescimento físico (SACCANI, 2009). 
Durante o período gestacional alguns cuidados para o bom desenvolvimento do feto são importantes e algumas prevenções devem ser tomadas para um bom desenvolvimento global.
Os cuidados na gravidez devem ir além das consultas periódicas ao ginecologista, o estilo de vida que a mulher adota entre essas visitas fazem toda a diferença. 
Alguns processos fundamentais, como o desenvolvimento do sistema nervoso, ocorrem predominantemente na vida fetal e durante os primeiros anos de vida. Esses processos incluem a diferenciação cortical, a migração neuronal, a sinaptogênese e a mielinização.

Mamãe e futuras mamãe, assistam esse vídeo: 



Transtorno de Humor: Bipolar

Hoje recebi algumas sugestões e dúvidas, uma delas foi sobre o transtorno bipolar, lembrei-me de algumas conversas informais e percebi que esse tema gera muitas dúvidas e confusões. Porém escrever sobre diagnósticos ainda me dá um pouco de receio, pois hoje em dia as pessoas costumam rotular os outros e a si mesmo, sem ao menos saber com propriedade o que está falando e o quanto isso pode trazer maiores implicações.

Primeiramente, quando as pessoas leem um diagnóstico elas se identificam ou conseguem identificar aqueles critérios/sintomas em algum próximo, porém esses critérios só podem ter diagnóstico conclusivo por um profissional da saúde capacitado, pois déficits e problemas comportamentais todos temos, mas até esses problemas tornarem-se um diagnóstico preciso, é importante a investigação detalhada por um profissional adequado.

Bom, antes de falar sobre o Transtorno Bipolar, eu gostaria de dar uma breve introdução sobre sua categoria principal o Transtorno de Humor, o qual esse transtorno está inserido, na classificação de diagnósticos de doenças mentais o famoso DSM (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders), em português O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, em suma o transtorno bipolar é uma das categorias do Transtorno de Humor.

TRANSTORNOS DO HUMOR- descrito pelo DSM. IV 

1.    Transtorno Depressivo Maior se caracteriza por um ou mais Episódios Depressivos Maiores (pelo menos 2 semanas de humor deprimido ou perda de interesse, acompanhados por pelo menos quatro sintomas adicionais de depressão).

2.    Transtorno Distímico caracteriza-se por pelo menos 2 anos de humor deprimido na maior parte do tempo, acompanhado por sintomas depressivos adicionais que não satisfazem os critérios para um Episódio Depressivo Maior. 

3.    Transtorno Depressivo Sem Outra Especificação é incluído para a codificação de transtornos com características depressivas que não satisfazem os critérios para Transtorno Depressivo Maior, Transtorno Distímico, Transtorno de Ajustamento com Humor Deprimido ou Transtorno de Ajustamento Misto de Ansiedade e Depressão (ou sintomas depressivos acerca dos quais existem informações inadequadas ou contraditórias). 

4.    Transtorno Bipolar I é caracterizado por um ou mais Episódios Maníacos ou Mistos, geralmente acompanhados por Episódios Depressivos Maiores.

5.    Transtorno Bipolar II caracteriza-se por um ou mais Episódios Depressivos Maiores, acompanhado por pelo menos um Episódio Hipomaníaco.

6.    Transtorno Ciclotímico é caracterizado por pelo menos 2 anos com numerosos períodos de sintomas hipomaníacos que não satisfazem os critérios para um Episódio Maníaco e numerosos períodos de sintomas depressivos que não satisfazem os critérios para um Episódio Depressivo Maior.

7.    Transtorno Bipolar Sem Outra Especificação é incluído para a codificação de transtornos com aspectos bipolares que não satisfazem os critérios para qualquer dos Transtornos Bipolares específicos definidos nesta seção (ou sintomas bipolares acerca dos quais há informações inadequadas ou contraditórias).

8.    Transtorno do Humor Devido a uma Condição Médica Geral é caracterizado por uma perturbação proeminente e persistente do humor, considerada uma consequência fisiológica direta de uma condição médica geral.

9.    Transtorno do Humor Induzido por Substância caracteriza-se por uma perturbação proeminente e persistente do humor, considerada uma conseqüência fisiológica direta de uma droga de abuso, um medicamento, outro tratamento somático para a depressão ou exposição a uma toxina. 

10. Transtorno do Humor Sem Outra Especificação é incluído para a codificação de transtornos com sintomas de humor que não satisfazem os critérios para qualquer Transtorno do Humor específico, e nos quais é difícil escolher entre Transtorno Depressivo Sem Outra Especificação e Transtorno Bipolar Sem Outra Especificação (por ex., agitação aguda).


Já no DSM-V (DSM-5) definição de episódios depressivos maior, fundamental para os diagnósticos de tanto eu como bipolar transtornos bipolar II, são semelhantes aos do DSM-IV: presença de cinco dos nove sintomas de diagnóstico com a duração mínima de 2 semanas e uma mudança de funcionamento anterior. No entanto, agora é possível especificar ambos os transtornos depressivos e transtornos bipolares com características mistas.
As definições de episódios de mania e hipomania ambos foram radicalmente revisto, o que terá um impacto sobre os dois diagnósticos bipolares.


Para entender melhor o transtorno bipolar, achei importante especificar melhor sobre depressão e episódios maníaco.


Critérios para diagnóstico de depressão (Segundo o DSM-IV, Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 4ª edição).

1.    Sentir-se deprimido a maior parte do tempo;
2.    Anedônia: interesse diminuído ou perda de prazer para realizar as atividades de rotina;
3.    Sensação de inutilidade ou culpa excessiva;
4.    Dificuldade de concentração: habilidade freqüentemente diminuída para pensar e concentrar-se;
5.    Fadiga ou perda de energia;
6.    Distúrbios do sono: insônia ou hipersônia praticamente diárias;
7.    Problemas psicomotores: agitação ou retardo psicomotor;
8.    Perda ou ganho significativo de peso, na ausência de regime alimentar;
9.    Idéias recorrentes de morte ou suicídio. 

Critérios Diagnóstico para Episódio Maníaco (Segundo o DSM-IV, Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 4ª edição).

1.    Um período distinto de humor anormal e persistentemente elevado, expansivo ou irritável, com duração mínima de 1 semana (ou qualquer duração se for preciso internação).

2.    Durante o período de perturbação do humor, três (ou mais) dos seguintes sintomas persistiram (quatro, se o humor é apenas irritável) e estiveram presentes em um grau significativo.
·         auto-estima inflada ou grandiosidade.
·         redução da necessidade de sono (p.ex. bastam 3 horas por dia)

3.    Mais loquaz do que o habitual ou pressão por falar.

4.    Fuga de idéias ou experiência subjetiva de que os pensamentos estão correndo.

5.    Distrainilidade (a atenção é desviada por mínimos estímulos)

6.    Aumento da atividade dirigida a objetos ou agitação psicomotora.

7.    Envolvimento excessivo em atividades prazerosas com um alto potencial para consequências dolorosas.

8.    Os sintomas não satisfazem os critérios para episódio misto.

9.    A perturbação do humor é suficientemente grave a ponto de causar prejuízo acentuado no funcionamento ocupacional, nas atividades sociais ou relacionamentos costumeiros com outros, ou de exigir a hospitalização, como um meio de evitar danos a si mesmo e a terceiros, ou existem características psicóticas.

10. Os sintomas não se devem aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância ou condição médica geral.

 Importante orientar que esses sintomas podem aparecer sem diagnóstico algum ou outro diagnóstico, por isso a importância de um profissional qualificado para a avaliação correta.


Deixe suas dúvidas ou sugestões ou entre em contato por email patríciatella@gmail.com


Por Patrícia Constantino de Tella

Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – DSM

Quando eu falo de alguma psicopatologia, costumo usar a referência do DSM IV e V. Com isso, achei importante dar uma breve introdução sobre o que é.

O que é o DSM?

É um Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – DSM) é um manual para profissionais da área da saúde mental que lista diferentes categorias de transtornos mentais e critérios para diagnosticá-los, de acordo com a  Associação Americana de Psiquiatria (American Psychiatric Association - APA).
Atualmente usamos o DSM-5, oficialmente publicado em 18 de maio de 2013, é a mais nova edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais da Associação Psiquiátrica Americana. A publicação é o resultado de um processo de doze anos de estudos, revisões e pesquisas de campo, realizados por centenas de profissionais divididos em diferentes grupos de trabalho.

O objetivo final foi o de garantir que a nova classificação, como uma reformulação dos diagnósticos, favorecerem uma fonte segura e cientificamente embasada para aplicação em pesquisa e na prática clínica, para um diagnóstico mais claro para os profissionais da área. 

Por Patricia Constantino de Tella


terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Desenvolvimento de Habilidades Sociais no Espectro Austista


Esse é o resumo de uma palestra dada a um congresso brasileiro de terapia comportamental. 

Desenvolvimento de Habilidades Sociais em Crianças com Desenvolvimento Atípico a partir de sessões conjuntas.

Indivíduos que apresentam o espectro autista também apresentam socialização caracterizada por déficits no repertório social, tais como dificuldade de empatia e de expressão de sentimentos, entre outros. Estas características, muitas vezes, atrapalham o indivíduo em sua convivência com pares, familiares e sociedade em geral. Este trabalho teve o objetivo terapêutico de instalar e desenvolver repertório de habilidades sociais em dois meninos (8 e 7 anos), diagnosticados com autismo, durante 10 sessões conjuntas com base em Terapia por Contigências de Reforçamento (TCR). As crianças foram atendidas individualmente ao longo de seis meses, antes da realização do trabalho. Os procedimentos consistiram em dar modelo de interação social e modelar diferentes classes de comportamentos de interação social, tais como conversar, partilhar, aceitar, cumprimentar e oferecer conforto. Nas primeiras sessões conjuntas, ambos apresentavam dificuldade para selecionar, entre vários estímulos da interação, relevantes para a manutenção de interações adequadas (ex: identificar estado do outro, responder ao que era perguntado, iniciar e manter conversa, entre outros). No decorrer das sessões e com o foco de instalação e desenvolvimento de habilidades sociais, houve redução na frequência de comportamentos indesejados (birra, isolamento, estereotipias e incompreensão de regras sociais) e ampliação dos repertórios socialmente habilidosos. Tais resultados demonstraram que a sessão conjunta pode ser uma ferramenta terapêutica de desenvolvimento de repertório social para portadores de autismo.

Palavras chave: autismo, sessão conjunta, socialização.

Por Patrícia Constantino de Tella

Compulsão Alimentar

O transtorno da compulsão alimentar periódica foi descrito pela primeira vez nos anos 1950. Contudo, sua elevação à categoria diagnóstica apenas ocorreu em 1994, no DSM IV, com critérios provisórios para seu diagnóstico. Trata-se de uma síndrome caracterizada por episódios recorrentes de compulsão alimentar, sem qualquer comportamento de compensação para evitar um possível ganho de peso.

Esse comportamento alimentar é caracterizado pela ingestão de grande quantidade de alimentos em um período de tempo delimitado (até duas horas), acompanhado da sensação de perda de controle sobre o quê ou o quanto se come. Para caracterizar o diagnóstico, esses episódios devem ocorrer pelo menos dois dias por semana nos últimos seis meses, associados a algumas características de perda de controle e não acompanhados de comportamentos compensatórios dirigidos para a perda de peso (Spitzer,1993; Apa,1994).

Existem alguns problemas que podem favorecer a compulsão alimentar e outros que aparecem consequentes deles. São eles:
  • Dieta realizada de forma errada: após dietas muito rígidas há o risco da pessoa desenvolver a compulsão alimentar. Muitos especialistas afirmam que estas dietas deixam as pessoas deprimidas e privadas de diversos alimentos e que isso aumenta o desejo por comidas que elas não poderiam comer. Além disso, estudos apontam que as dietas muito rígidas levam ao impulso por comer, sentimento de desânimo e incapacidade de parar de comer quando saciado;
  • Comer por conforto emocional;
  • Estresse: durante situações estressantes, o cortisol é liberado estimulando a ingestão de alimentos e o aumento do peso (Gluck, 2001).;
  • Problemas com a imagem corporal: constantemente essas pessoas acham que deveriam comer menos, mesmo que não consigam fazer algo a respeito disso, a consequência é o sentimento constante de culpa e em relação a insatisfação corporal e com medo de ganhar mais peso são constantes tentativas de compensar com dietas malucas, passando fome, tomando medicamentos para emagrecer, e práticas como vomitar após comer ou ingerir laxantes. entre outros e isso pode levar a problemas ainda piores.
  • Problemas emocionais mais graves como outros transtornos psiquiátricos, muitos indivíduos compulsivos também sofrem de depressão, ansiedade e outros transtornos psíquicos, como ao transtorno bipolar e transtornos do impulso.  
Por isso a importância de profissionais capacitados da área para um tratamento adequado.

Tratamento

A importância de o acompanhamento de um psicólogo, pois os cuidados são comportamentais, com a mudança de estilo de vida, reeducação alimentar  através de uma nutricionista, com
estratégias de cardápio para evitar a compulsão, como comer com frequência, "bolar" alternativas agradáveis para colocar no cardápio, incentivar o paciente a fazer inventário alimentar completo para que não perca o controle sobre o que come. E a prática de exercícios, e se preciso uso de medicamento indicado por um psiquiatra indicado.


A maior importância do tratamento está na abordagem multidisciplinar, com boa interação entre as equipes, para que a via final comum seja a cura do paciente.

Por Patrícia Constantino de Tella
Psicóloga
Especialista em Terapia Comportamental pela Universidade de São Paulo - USP
Mestre pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP/Icr


Nutrição e os primeiros anos de vida

Os primeiros anos de vida são fundamentais na programação do processo saúde-doença

 

Desde a fase intrauterina, nosso organismo está sendo desenvolvido e moldado, de acordo com os estímulos recebidos.  A adequação do aporte de nutrientes é imprescindível para equilibrar as funções orgânicas em qualquer fase da vida. Entretanto, o período de desenvolvimento e crescimento é considerado críticpara o processo saúde/doença na vida adulta, por apresentar intensas mudanças fisiológicas.

Voltando um pouco à história, no início do século XX pesquisadores questionaram se apenas fatores genéticos seriam suficientes na modulação da fisiologia e do metabolismo do organismo. Este grupo de pesquisadores, conduzidos por David Barker, observou que os filhos das mulheres que sofreram privação de alimentos durante o a II Guerra Mundial, tinham maiores chances de desenvolverem problemas cardiovasculares e obesidade. Com os achados na literatura, criou-se o termo “programação metabólica”, que descreve o fenômeno biológico que ocorre durante o processo de desenvolvimento, onde um insulto ou estímulo fisiológico ou ambiental provocariam repercussões duradouras na fisiologia, estrutura e funções do organismo. O aumento do tecido de gordura, por exemplo, ocorre no intuito do organismo incrementarsuas reservas energéticas preparando-se para condições ambientais desfavoráveis. No entanto, apesar desta importante estratégia de sobrevivência, essa programação desencadeia um desequilíbrio endócrino importante.

Apesar da principal função do tecido de gordura seja armazenar o excesso de energia corporal, o aumento exacerbado dessa reserva energética é prejudicial ao organismo; evidências têm mostrado que um acúmulo excessivo de gordura, principalmente centralizada, leva a ativação de vias pró-inflamatórias promovendo uma ligação patogênica crítica entre a obesidade e o desenvolvimento de doenças multifatoriais, como diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares, que são as maiores causas de morte no mundo.

Existe um ditado popular, que diz que colhemosapenas aquilo que plantamos, e a ciência tem exatamente constatado isso, as escolhas alimentares hoje, nos dirão que qualidade de vidateremos amanhã.

 

 

Por Verônica Euclydes

Nutricionista.

Mestre em Nutrição Humana Aplicada (USP)

Especialista em Nutrição Clínica Infantil (HCFMUSPICr)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Transtorno Dismorfico: Corporal e Muscular (vigorexia)

A imagem corporal é a figura de nosso próprio corpo que formamos em nossa mente, ou seja, o modo pelo qual o corpo se nos apresenta. (Schilder 1994)

Segundo Thompson (1996), o conceito de imagem corporal envolve três componentes:
  • Perceptivo, que se relaciona com a precisão da percepção da própria aparência física, envolvendo uma estimativa do tamanho corporal e do peso;
  • Subjetivo, que envolve aspectos como satisfação com a aparência, o nível de preocupação e ansiedade a ela associada;
  • Comportamental, que focaliza as situações evitadas pelo indivíduo por experimentar desconforto associado à aparência corporal.

Transtorno dismórfico muscular ou Vigorexia, um subtipo do transtorno dismórfico corporal, é um distúrbio já classificado como uma das manifestações do espectro do transtorno obsessivo-compulsivo. Em certos aspectos, vigorexia e anorexia nervosa são desordens semelhantes, na medida em que interferem na visão desvirtuada que os portadores têm do próprio corpo. Diante do espelho, anoréxicos esquálidos e desnutridos se enxergam obesos, e os vigoréxicos se veem fracos, magrinhos, franzinos, apesar de fortes e muito musculosos.
A autoimagem distorcida leva os portadores de vigorexia à práticaexagerada de exercícios físicos, em busca do corpo perfeito de acordo com os padrões de beleza impostos pelos valores da sociedade contemporânea.

Essa insatisfação constante com o próprio corpo e com a massa e força musculares faz com que incorporem novos hábitos e comportamentos à sua rotina de vida.  Vigoréxicos passam horas e horas nas academias, sempre aumentando a carga dos exercícios. Paralelamente, introduzem alterações na dieta constituída basicamente por proteínas, passam a consumir suplementos alimentares sem orientação e recorrem ao uso de esteroides e anabolizantes.
Como o corpo que consideram perfeito é um ideal inatingível, em razão dos sentimentos de inferioridade e da visão deformada da própria aparência, essas pessoas estão mais sujeitas a desenvolver quadros de depressão e ansiedade.

O Transtorno Dismórfico Corporal (TDC) é um transtorno relacionado a preocupações com a aparência. Os critérios diagnósticos estabelecidos pelo DSM-IV são: preocupação com um defeito imaginado na aparência, e mesmo que haja um mínimo defeito, a preocupação é extremamente acentuada; sofrimento significativo e/ou prejuízo no funcionamento da vida do indivíduo; não deve ser confundido com Anorexia e Bulimia. Enquanto nesses transtornos, a preocupação é com o tamanho ou forma do corpo como um todo, no TDC se refere a uma ou mais partes do corpo como: nariz, boca, queixo, seios, cabeça, cabelo, pernas, quadris, entre outras.
As preocupações são mais freqüentes em situações sociais, sendo comum esquiva social e tentativas de camuflagem (com maquiagem, roupas, gestos). Outros comportamentos característicos são: olhar fixamente no espelho, ou evitar espelhos, comparar-se com outras pessoas, pedir reafirmações sobre o defeito, realizar cirurgias plásticas e tratamentos estéticos. Alguns desses comportamentos podem se tornar rituais que prejudicam as atividades diárias. Sem tratamento médico e psicológico, o TDC persiste por anos, sendo caracterizado como um transtorno crônico e perigoso, com riscos de suicídio.

Tratamento

O tratamento é multidisciplinar, envolve médico, psicoterapeuta, nutricionista e preparador físico. A pessoa não precisa abandonar totalmente a prática de exercícios, mas o treinamento deve ser orientado por profissionais com experiência na área.
A terapia cognitivo-comportamental é um recurso eficaz para o paciente identificar as distorções do comportamento e restaurar a autoimagem e a autoconfiança. Outra medida essencial é convencê-lo de que deve abandonar o uso de anabolizantes e de outras substâncias equivalentes, porque provocam efeitos adversos, como atrofia dos testículos, disfunção erétil e infertilidade, patologias que podem ser irreversíveis. Em alguns casos, pode ser necessário recorrer ao uso de medicamentos para controle da ansiedade, depressão e dos sintomas obsessivo-compulsivos.
 
Portadores de vigorexia raramente admitem sua condição. Por isso, o diagnóstico e o início do tratamento costumam ser instituídos tardiamente. Estudos mostram que a terapia comportamental é eficaz no tratamento da dismorfia corporal e muscular (vigorexia). 

Por Patricia Constantino de Tella

Transtorno Alimentar: Anorexia e Bulimia


Os transtornos alimentares (anorexia nervosa, bulimia nervosa e suas variantes) são quadros psiquiátricos, que afetam particularmente adolescentes e adultos jovens do sexo feminino, levando a marcantes prejuízos psicológicos, sociais e aumento de morbidade e mortalidade.

DSM IV Anorexia
1. Recusa em manter o peso dentro ou acima do mínimo normal adequado à idade e à altura; por exemplo, perda de peso, levando à manutenção do peso corporal abaixo de 85% do esperado, ou fracasso em ter o peso esperado durante o período de crescimento, levando a um peso corporal menor que 85% do esperado.
2. Medo intenso do ganho de peso ou de se tornar gordo, mesmo com peso inferior.
3. Perturbação no modo de vivenciar o peso, tamanho ou forma corporais; excessiva influência do peso ou forma corporais na maneira de se auto-avaliar; negação da gravidade do baixo peso.

DSM IV Bulimia
1.      Episódios recorrentes de consumo alimentar compulsivo – episódios bulímicos – tendo as seguintes características:
2.      Ingestão em pequeno intervalo de tempo (i.e., aproximadamente em duas horas) uma quantidade de comida claramente maior do que a maioria das pessoas comeria no mesmo tempo e nas mesmas circunstâncias; e
3.      Sensação de perda de controle sobre o comportamento alimentar durante os episódios (a sensação da não conseguir parar de comer ou controlar o quê e quanto come). 
4.      Comportamentos compensatórios inapropriados para prevenir ganho de peso, como vômito autoinduzido, abuso de laxantes, diuréticos ou outras drogas, dieta restrita ou jejum ou, ainda, exercícios vigorosos.
5.      Os episódios bulímicos e os comportamentos compensatórios ocorrem, em média, duas vezes por semana, por pelo menos três meses.
6.      A auto-avaliação é indevidamente influenciada pela forma e peso corporais. O distúrbio não ocorre exclusivamente durante episódios de anorexia nervosa. Tipos: - Purgativo: auto-indução de vômitos, uso indevido de laxantes e diuréticos, enemas. - Sem purgação: sem práticas purgativas, prática de exercícios excessivos ou jejuns.

Transtorno da alimentação da primeira infância
É uma dificuldade em se alimentar adequadamente levando a uma perda ponderal ou a uma falha em ganhar peso de forma apropriada, iniciando-se antes da idade de seis anos. Os sintomas parecem não ser devidos a nenhuma condição médica geral, a um outro transtorno psiquiátrico ou à falta de alimentos. O objetivo principal do tratamento é a melhora do estado nutricional do paciente. Deve-se proceder uma avaliação dos pais e de fatores psicossociais que estejam contribuindo para o desenvolvimento e a manutenção do problema.

Pica
É a ingestão persistente de substâncias não nutritivas, inadequadas para o desenvolvimento infantil e que não fazem parte de uma prática aceita culturalmente. As substâncias mais frequentemente consumidas são: terra, barro, cabelo, alimentos crus, cinzas de cigarro e fezes de animais. Atrasos no desenvolvimento, retardo mental e história familiar de pica são condições que podem estar associadas. Várias complicações clínicas podem ocorrer, principalmente relacionadas com o sistema digestivo e com intoxicações ocasionais, dependendo do agente ingerido.

Autores relataram que 30% de um grupo de adolescentes obesas que procurou tratamento para emagrecer apresentava compulsão alimentar. O tratamento do Transtorno alimentar deve envolver uma orientação dietética adequada por um nutricionista, psicoterapia cognitivo-comportamental, além de medicações prescritas por um psiquiatra, todos esses profissionais devem ser capacitados nessa área específica.


Por Patricia Constantino de Tella