O transtorno da compulsão alimentar periódica foi
descrito pela primeira vez nos anos 1950. Contudo, sua elevação à categoria
diagnóstica apenas ocorreu em 1994, no DSM IV, com critérios provisórios para
seu diagnóstico. Trata-se de uma síndrome caracterizada por episódios
recorrentes de compulsão alimentar, sem qualquer comportamento de compensação
para evitar um possível ganho de peso.
Esse comportamento alimentar é caracterizado pela
ingestão de grande quantidade de alimentos em um período de tempo delimitado
(até duas horas), acompanhado da sensação de perda de controle sobre o quê ou o
quanto se come. Para caracterizar o diagnóstico, esses episódios devem ocorrer
pelo menos dois dias por semana nos últimos seis meses, associados a algumas
características de perda de controle e não acompanhados de comportamentos
compensatórios dirigidos para a perda de peso (Spitzer,1993; Apa,1994).
Existem alguns problemas que podem favorecer a
compulsão alimentar e outros que aparecem consequentes deles. São eles:
- Dieta realizada de forma errada: após dietas
muito rígidas há o risco da pessoa desenvolver a compulsão alimentar.
Muitos especialistas afirmam que estas dietas deixam as pessoas deprimidas
e privadas de diversos alimentos e que isso aumenta o desejo por comidas
que elas não poderiam comer. Além disso, estudos apontam que as dietas
muito rígidas levam ao impulso por comer, sentimento de desânimo e
incapacidade de parar de comer quando saciado;
- Comer por conforto emocional;
- Estresse: durante
situações estressantes, o cortisol é liberado estimulando a ingestão de
alimentos e o aumento do peso (Gluck, 2001).;
- Problemas com a imagem corporal: constantemente
essas pessoas acham que deveriam comer menos, mesmo que não consigam fazer
algo a respeito disso, a consequência é o sentimento constante de culpa e
em relação a insatisfação corporal e com medo de ganhar mais peso são
constantes tentativas de compensar com dietas malucas, passando fome,
tomando medicamentos para emagrecer, e práticas como vomitar após comer ou
ingerir laxantes. entre outros e isso pode levar a problemas ainda
piores.
- Problemas emocionais mais graves como outros
transtornos psiquiátricos, muitos indivíduos compulsivos também sofrem de
depressão, ansiedade e outros transtornos psíquicos, como ao transtorno
bipolar e transtornos do impulso.
Por isso a importância de profissionais
capacitados da área para um tratamento adequado.
Tratamento
A importância de o acompanhamento de um psicólogo, pois os cuidados são comportamentais, com a mudança de estilo de vida, reeducação alimentar através de uma nutricionista, com estratégias de cardápio para evitar a compulsão, como comer com frequência, "bolar" alternativas agradáveis para colocar no cardápio, incentivar o paciente a fazer inventário alimentar completo para que não perca o controle sobre o que come. E a prática de exercícios, e se preciso uso de medicamento indicado por um psiquiatra indicado.
A maior importância do tratamento está na abordagem
multidisciplinar, com boa interação entre as equipes, para que a via final
comum seja a cura do paciente.
Por Patrícia Constantino de Tella
Psicóloga
Especialista em Terapia Comportamental pela Universidade de São Paulo - USP
Mestre pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP/Icr
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