terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Compulsão Alimentar

O transtorno da compulsão alimentar periódica foi descrito pela primeira vez nos anos 1950. Contudo, sua elevação à categoria diagnóstica apenas ocorreu em 1994, no DSM IV, com critérios provisórios para seu diagnóstico. Trata-se de uma síndrome caracterizada por episódios recorrentes de compulsão alimentar, sem qualquer comportamento de compensação para evitar um possível ganho de peso.

Esse comportamento alimentar é caracterizado pela ingestão de grande quantidade de alimentos em um período de tempo delimitado (até duas horas), acompanhado da sensação de perda de controle sobre o quê ou o quanto se come. Para caracterizar o diagnóstico, esses episódios devem ocorrer pelo menos dois dias por semana nos últimos seis meses, associados a algumas características de perda de controle e não acompanhados de comportamentos compensatórios dirigidos para a perda de peso (Spitzer,1993; Apa,1994).

Existem alguns problemas que podem favorecer a compulsão alimentar e outros que aparecem consequentes deles. São eles:
  • Dieta realizada de forma errada: após dietas muito rígidas há o risco da pessoa desenvolver a compulsão alimentar. Muitos especialistas afirmam que estas dietas deixam as pessoas deprimidas e privadas de diversos alimentos e que isso aumenta o desejo por comidas que elas não poderiam comer. Além disso, estudos apontam que as dietas muito rígidas levam ao impulso por comer, sentimento de desânimo e incapacidade de parar de comer quando saciado;
  • Comer por conforto emocional;
  • Estresse: durante situações estressantes, o cortisol é liberado estimulando a ingestão de alimentos e o aumento do peso (Gluck, 2001).;
  • Problemas com a imagem corporal: constantemente essas pessoas acham que deveriam comer menos, mesmo que não consigam fazer algo a respeito disso, a consequência é o sentimento constante de culpa e em relação a insatisfação corporal e com medo de ganhar mais peso são constantes tentativas de compensar com dietas malucas, passando fome, tomando medicamentos para emagrecer, e práticas como vomitar após comer ou ingerir laxantes. entre outros e isso pode levar a problemas ainda piores.
  • Problemas emocionais mais graves como outros transtornos psiquiátricos, muitos indivíduos compulsivos também sofrem de depressão, ansiedade e outros transtornos psíquicos, como ao transtorno bipolar e transtornos do impulso.  
Por isso a importância de profissionais capacitados da área para um tratamento adequado.

Tratamento

A importância de o acompanhamento de um psicólogo, pois os cuidados são comportamentais, com a mudança de estilo de vida, reeducação alimentar  através de uma nutricionista, com
estratégias de cardápio para evitar a compulsão, como comer com frequência, "bolar" alternativas agradáveis para colocar no cardápio, incentivar o paciente a fazer inventário alimentar completo para que não perca o controle sobre o que come. E a prática de exercícios, e se preciso uso de medicamento indicado por um psiquiatra indicado.


A maior importância do tratamento está na abordagem multidisciplinar, com boa interação entre as equipes, para que a via final comum seja a cura do paciente.

Por Patrícia Constantino de Tella
Psicóloga
Especialista em Terapia Comportamental pela Universidade de São Paulo - USP
Mestre pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP/Icr


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