sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Tristeza e Depressão

“Todo mundo é capaz de dominar a dor, exceto quem sente...” W. Shakespear

Lembro-me dessa frase quando entra um paciente queixando-se de sintomas de tristeza/ depressão e ele diz “todos falam que eu não deveria sofrer assim, afinal eu não tenho um grande problema” citando algum outro problema que poderia ser pior que o seu... Mas no momento do sofrimento, a maior dor é de quem está sentindo, não adianta comparações, essa é sua dor e vamos compreendê-la e trata-la de maneira adequada, todo mundo precisa ter qualidade de vida e não só existir, precisa-se viver com prazer.

Com isso resolvi escrever sobre tristeza/ depressão, ressaltar seus sintomas e mesmo que não seja depressão, saber que ambas tem solução, mesmo que você não veja mais saída, na terapia podemos encontrar uma luz...

Há uma grande diferença entre tristeza e depressão.

A tristeza pode ocorrer desencadeada por algum fato do cotidiano, onde a pessoa realmente sofre com aquilo até assimilar o que está acontecendo e geralmente não dura mais do que quinze a vinte dias.

Depressão é a tristeza quando não acaba mais... E se não for tratada pode piorar.

Ela pode ser desencadeada por problemas psicológicos ou emocionais, com alterações do funcionamento cerebral e secundária por alguma doença.

Com ela a pessoa pode apresentar alterações do humor, alterações cognitivas, psicomotoras e vegetativas, causando algum prejuízo na vida de quem sofre.
Os sintomas segundo o DSM-V, são:

Cinco ou mais dos sintomas seguintes presentes por, pelo menos, duas semanas e que representam mudanças no funcionamento prévio do indivíduo; pelo menos um dos sintomas é humor deprimido ou perda de interesse ou prazer.

1. O Humor deprimido na maioria dos dias, quase todos os dias (p. ex.: sente-se triste ou vazio) ou observação feita por terceiros (p. ex.: chora muito). Nota: Em crianças e adolescentes pode ser humor irritável.

2. Quando há a diminuição do prazer ou interesse em todas ou quase todas atividades na maior parte do dia e que antes eram prazerosas (indicado por relato subjetivo ou observação feita por terceiros).

3. Perda ou ganho de peso acentuado sem estar em dieta (p.ex.: mais de 5% do peso corporal em um mês) ou aumento ou diminuição de apetite quase todos os dias.

4. Insônia ou hipersônia quase todos os dias.

5. Agitação ou retardo psicomotor quase todos os dias (observáveis por outros, não apenas sensações subjetivas de inquietação ou de estar mais lento).

6. Fadiga e perda de energia quase todos os dias.

7. Sentimento de inutilidade ou culpa excessiva ou inadequada (que pode ser delirante) quase todos os dias (não meramente autorrecriminação ou culpa por estar doente).

8. Capacidade diminuída de pensar ou concentrar-se ou indecisão quase todos os dias.

9. Pensamentos de morte recorrentes, ideação suicida recorrente sem um plano específico, tentativa de suicídio ou plano específico de cometer suicídio. 

Esses sintomas causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.

Importante, que esses sintomas não se devem aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (p. ex.: droga) ou outra condição médica.

Acho importante salientar que esse ou qualquer outro diagnóstico requer o exercício de julgamento clínico baseado na história do indivíduo e as normas culturais para a expressão de angústia no contexto de perda.

Os transtornos depressivos também apresentam, de acordo com o DSM-V, alguns especificadores, que os caracterizam de acordo com suas principais particularidades.

Como, por exemplo, é comum o transtorno depressivo com característica ansiosa, que tem como os seguintes sintomas associados:

1. Sentir-se tenso;
2. Sentir-se inquieto;
3.
Dificuldade de concentração devido a preocupações;
4. Medo que algo terrível aconteça;
5. Sensação de que pode perder o controle sobre si mesmo.


Por Patrícia Tella


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