A mulher tem, de maneira geral, mais gordura que o homem. Essa já é uma composição corporal programada quando se define o sexo e começa a vida. Isso porque, ela vem programada com a função “serei mamãe um dia”. Na gestação, para garantir o crescimento e desenvolvimento do feto, existe uma maior produção de células de armazenamento de gordura. Além disso, a liberação dos hormônios de fome e saciedade é alterada, para sinalizar a necessidade de comer mais, já que as necessidades estão aumentadas. Todo esse processo acontece em alguns meses, principalmente a partir do segundo trimestre gestacional. Portanto, o ganho de peso é fisiológico, contudo, não pode ser excessivo, por aumentar chances de complicações para o bebê e a criança. Escrevo isso aqui, por uma pergunta que diversas mães me fazem:
– Por que pra mim é tão difícil emagrecer após a gestação e vejo famosas postando foto da barrigada chapada 2meses após o parto?
Além de todas as dificuldades concernentes ao puerpério, as mulheres ainda são assombradas com uma cobrança da sociedade para um retorno (rápido e mágico)à forma antes de ter engravidado. Infelizmente, grande parte das mulheres se permite e absorve essa cobrança do corpo perfeito estabelecido por uma sociedade superficial. Esta realidade é reforçada ao ler blogs e revistas de mulheres que postam fotos de sua recuperação quase instantânea após o parto. Primeiro, é importante destacar que estas mulheres trabalham com o corpo (imagem) e usam de todos os recursos possíveis para atender as exigências de uma aparência perfeita, que podem ser seguros ou não; e você nunca saberá o que de fato aconteceu com ela, afinal, apenas as coisas boas são publicadas. Segundo, grande parte já eram adeptas a um estilo de vida bastante regrado, incluindo boa alimentação e atividade física, o que auxilia muito o retorno ao peso ideal. Terceiro, existe uma coisa chamada individualidade biológica - a sugestão é que você apenas compare o seu corpo com ele mesmo. Não se esqueça de que o ganho de peso aconteceu ao longo dos 9 meses de gestação, e não é saudável que seja repentino, já que esta atitude pode comprometer o aleitamento materno e favorecer a perda de massa magra. Existe inclusive uma alteração genética (possível ser obtida em testes de clínicas particulares), que é fator de risco para maior ganho de peso durante a gestação. A boa notícia é que fator de risco não é um determinante para que isso aconteça. Estudos atuais mostram que a atividade física e alimentação saudável durante a gestação pode prevenir o ganho de peso excessivo nestas mulheres.
*Procure ajuda profissional para ter resultados efetivos que não comprometam sua saúde.
Verônica Euclydes
Nutricionista
Especialista em Nutrição Clínica Infantil (HCFMUSP- ICr)
Mestre em Nutrição Humana Aplicada (USP)
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