Resolvi escrever sobre esse tema, pois há tempos venho observando na minha prática
clínica queixas de pessoas que sofreram e que passaram por algum tipo de
discriminação, insulto e o quanto isso afetou a autoestima e a maneira delas de se
posicionarem socialmente.
Estamos o tempo todo ouvindo na TV e nos outros meios de comunicação, relatos,
acompanhados de indignação por grande parte da população, e verificando graves
consequências na vida de quem passou por isso.
A princípio, e talvez mais frequente pelo menos no que tenho observado, conversando
com colegas e amigos, é a queixa de pessoas que estão fisicamente fora dos padrões
considerados ideais pela nossa sociedade atual. O Obeso, o idoso, o portador de
necessidades especiais, o negro, o menos favorecido socialmente, aquele que por uma
razão ou outra é mais fechado, menos comunicativo e por aí vai. Todos que de alguma
forma, não correspondem ao ideal de ser humano nos padrões estabelecidos pela nossa
cultura, dignos de acrescentar algo bom e de ter sucesso.
Para ter sucesso, ser bem aceito no trabalho, nos relacionamentos interpessoais, um
primeiro aspecto super valorizado é a aparência. A inteligência, a simpatia, o jogo de
cintura, a habilidade em lidar com o outro, a capacidade de produção, de se relacionar,
aparecem depois. Mas pra isso, a pessoa também precisa acredita em si mesma, no seu
potencial e aguardar o momento certo de se reconhecido.
Enquanto isso não acontece, para algumas pessoas, fica difícil enfrentar o mundo de
cabeça erguida e ignorar na maioria das vezes os insultos e a discriminação por ela
sofridos.
Eu como psicóloga, acredito muito no poder da palavra. A palavra dita de modo suave
ou firme, com tom agressivo ou acolhedor, fazem muita diferença na vida daquele para
o qual a palavra é direcionada.
Mas não é só de palavras que uma comunicação é estabelecida. O olhar, também diz
muito. Todos sabemos disso. Tanto é que às vezes alguém diz algo, mas a maneira de
olhar e de se posicionar é outra, e aí fica uma dúvida. Um incômodo começa a fazer
parte dos pensamentos daquela pessoa, que recebeu a informação, e isso pode começar a
afetar suas atitudes, e sentimentos novos de desconfiança e menos valia começam a
fazer parte da vida, claro, se a comunicação passar a ser feita de modo desrespeitoso,
depreciativo.
Não são todos que conseguem retrucar, se posicionar. Ainda mais se tratando de uma
ofensa em que a pessoa realmente acredita que ela se encaixa perfeitamente naquele
lugar.
É muito comum, as pessoas dizerem que são sinceras e verdadeiras o tempo todo e se o
outro não dá conta problema dele. Será que sinceridade e verdade tem a ver com isso?
Será que não existe outra forma de dizer o que se pensa? O outro pediu sua opinião? Ele
quis saber o que você pensa sobre ele?
Existem casos em que sim, a opinião do outro foi solicitada, e geralmente isso é feito
para alguém em quem se confia. Ok. Quem pergunta está sujeito mesmo a ouvir coisas
que não quer. Mas e quem não pergunta e leva um “tóim” de surpresa? Ainda mais se
referindo à sua pessoa?
Imagine uma somatória de situações como essas acontecendo frequentemente na vida de
alguém. Podemos considerar até um processo iniciado já na infância, pelos pais,
professores e colegas. Qual será o resultado? Pessoas infelizes, com baixa autoestima,
depressivas, ansiosas e por aí vai.
Não posso escrever aqui tudo o que penso sobre o assunto, pois ficaria muito extenso e
não é minha intenção. O que pretendo aqui é deixar um recado para que as pessoas
pensem um pouco sobre essa questão . Sempre a opinião é muito importante.
Por Mariana Vieira Cintra
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