Tella, PC. Avaliação do desenvolvimento
neuropsicomotor em uma coorte de nascimento, a frequência de atraso aos 6 meses
e a associação com fatores psicossociais
e ambientais. [Dissertação]. São Paulo: Faculdade de Medicina, Universidade de
São Paulo, 2015.
O
presente estudo é um subprojeto do Instituto de Psiquiatria do Desenvolvimento intitulado “Novas Ferramentas
na Compreensão do Desenvolvimento Infantil: a Interação Gene-Ambiente e
Conectividade Neuronal”, financiado pela FAPESP e aprovado pela CAPPESQ com o
número de protocolo 0054/09.
Os
primeiros anos são particularmente importantes no ciclo vital, é rápido o
crescimento e desenvolvimento do cérebro, tornando-se vulnerável à exposição a diferentes fatores de
risco biológicos e psicossociais. Os
fatores biológicos, em geral, são acompanhados por fatores psicossociais e ambientais
que potencializam o seu efeito. Essas condições adversas são fatores de risco e
ameaça ao desenvolvimento infantil. Devido à importância e ao impacto dos
atrasos no desenvolvimento sobre o futuro da criança, quanto mais precocemente
forem identificadas as crianças de maior risco, menor o agravamento futuro. O
objetivo dessa dissertação foi caracterizar o desenvolvimento neuropsicomotor
de crianças de 6 a 9 meses através da Escala Bayley de Desenvolvimento, em uma
amostra de base populacional. Estimou-se a prevalência de atraso e a identificou
os fatores de risco psicossociais e ambientais associados. É um estudo
epidemiológico de coorte de nascimento longitudinal, com três seguimentos. A
primeira entrevista com a gestante, para coleta de dados socioeconômicos e a
entrevista para diagnósticos psiquiátricos, o segundo encontro para verificar
diagnósticos psiquiátricos no puerpério, dados de nascimento e alimentação do
lactente e por último aos 6 meses a aplicação da Escala Bayley. Avaliados 368 lactentes,
encontramos 15,4% das crianças classificadas com atraso significativo em pelo menos
um dos domínios, entre eles 10,87% tiveram atraso no desenvolvimento motor, com
déficit de linguagem o total de 8,15% e 3,01% dos lactentes apresentaram atraso
no desenvolvimento cognitivo aos 6 meses. Em analises constatou que o
desenvolvimento cognitivo foi o fator com maior associação a fatores de
estresse materno. Os transtornos, de humor durante a gestação, transtorno
psicótico e transtorno de ansiedade no puerpério, a classe econômica,
escolaridade materno, mãe adolescente e fumo durante a gestação, foram
associados ao atraso no desenvolvimento mesmo após ajustes
para fatores confundidores. Conclui-se que os transtornos psiquiátricos são
preditores de atraso no desenvolvimento neuropsicomotor aos 6 meses de idade.
Esse estudo mostra a importância da triagem para identificação de possíveis
atrasos no desenvolvimento, para consequentes programas de intervenção a fim de
evitar ou minimizar agravos futuros e possibilitar a criança desenvolver-se com
todo seu potencial.
Palavras-Chave:
desenvolvimento; fatores de risco; lactentes.
Patricia Tella, M.D.
contato: patriciatella@usp.br
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